A administração dos medicamentos prescritos pelo médico à pessoa idosa com comorbidades é função muito importante de quem cuida, e requer atenção individualizada. Dependendo das condições de saúde do paciente assistido, a polifarmácia se faz necessária, exigindo conhecimento, organização, disciplina e sinergia da equipe de cuidadores e de enfermagem para que a gestão dos fármacos seja segura e efetiva.
Além da importância de dar os remédios na dose e horários certos, outras variáveis devem ser analisadas. Pacientes com disfagia (dificuldade de deglutição), o ideal é usar comprimidos dispersíveis (que se dissolvem na água), na forma líquida, gotas ou sublingual. Triturar comprimidos ou abrir cápsulas pode causar intercorrências (como vômitos). Nesse caso, o médico deve ser informado para substituir a medicação no formato mais adequado ao quadro da pessoa atendida.
O manuseio (sempre com as mãos higienizadas) e a armazenagem também são fatores relevantes na gestão de medicamentos.
Uma prática muito comum na rotina do cuidado é o fracionamento de comprimidos. Essa conduta pode ser necessária para ajustar a dose prescrita pelo médico. No entanto, algumas regras devem ser respeitadas a fim de garantir a segurança: observar se o comprimido apresenta ranhura no meio (o que indica que pode ser partido); utilizar cortadores padronizados (vendidos em farmácias, dispõem de uma lâmina que corta o medicamento com precisão); fracionar na hora de administrar e não com antecedência.
Distribuir a polifarmácia em caixas organizadoras, retirando os remédios de sua embalagem original (blister) é outra situação corriqueira e que envolve riscos. A exposição à luz e à umidade pode alterar a sua composição química, prejudicando a eficácia. Além disso, ao cortar o invólucro também se perde informações importantes sobre o produto (nome, dose, lote de fabricação, data de validade). Por isso, mantenha as embalagens originais e guarde-as em locais secos, frescos e protegidos do sol. Evite armazená-las em banheiros e cozinha.
Os medicamentos são essenciais para fins curativos e paliativos, aliviam a dor e o mal-estar. Devem, portanto, ser monitorados com muita segurança e responsabilidade.