A incontinência urinária, caracterizada pela perda involuntária de urina, é um problema muito frequente que pode afetar homens, mulheres, crianças e idosos. Existem diversas situações que podem predispor ao seu desenvolvimento ou agravar o quadro. Nas mulheres, o período do climatério e a menopausa são fatores importantes que podem contribuir para o surgimento ou intensificação das perdas urinárias.
A menopausa corresponde à cessação dos ciclos menstruais e ao fim da fase reprodutiva da mulher. Nesse período, ocorre uma queda significativa na produção dos hormônios sexuais, principalmente do estrogênio. Além dos sintomas já conhecidos, como ondas de calor, sudorese e alterações de humor, podem surgir também secura vaginal, sintomas sexuais, como diminuição da libido, e alterações urinárias.
Entre os problemas urinários mais comuns após a menopausa estão: ardor ao urinar, aumento da frequência miccional, urgência urinária (desejo súbito e intenso de urinar) e perdas de urina. A incontinência urinária pode se manifestar principalmente de duas formas:
• Incontinência urinária de esforço: ocorre perda de urina ao tossir, espirrar, correr ou pegar peso.
• Incontinência urinária de urgência: ocorre perda involuntária associada ao desejo súbito de urinar, sem conseguir reter a urina até chegar ao banheiro.
Por que a menopausa pode agravar as perdas urinárias?
A médica uroginecologista Dra Maria Augusta Bortolini, presidente da Associação Brasileira pela Continência B. C. Stuart explica: “ a redução dos níveis de estrogênio leva à atrofia dos órgãos genitais e urinários, como a bexiga e a uretra. Com isso, a mucosa dessas estruturas torna-se mais fina e sensível aos estímulos que desencadeiam o reflexo da micção. Além disso, a uretra passa a apresentar menor quantidade de vasos sanguíneos, menor pregueamento da mucosa e enfraquecimento de sua musculatura, tornando-se menos funcional. Essas alterações dificultam a manutenção do fechamento uretral adequado para armazenar a urina e evitar escapes”.
Contudo, não é apenas a deficiência de estrogênio a responsável pela piora da função da uretra e da bexiga. O próprio processo de envelhecimento dos tecidos ao longo do tempo também desempenha papel relevante. Nesse contexto, observa-se atrofia tecidual associada a um estado de inflamação crônica local, com maior liberação de radicais livres. De fato, muitas vezes é difícil separar os efeitos diretos da menopausa daqueles decorrentes do envelhecimento na explicação dos sintomas urinários.
É importante destacar que nem todas as mulheres apresentarão perdas urinárias ao longo da vida. Entretanto, quando relacionadas a esse período, as perdas podem ser aliviadas com diferentes abordagens terapêuticas, como a reposição hormonal, terapias com energia (laser e radiofrequência) e fisioterapia para fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico. Em algumas situações, pode haver necessidade de tratamento medicamentoso ou, eventualmente, cirúrgico.
O mais importante é reconhecer que a menopausa pode acentuar o problema da incontinência urinária e saber que existem tratamentos disponíveis para essa condição.
Converse com seu médico.
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Fonte: Associação Brasileira pela Continência B. C. Stuart
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